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Ousadia, a gente encontra por aqui.
Postado em 15 de novembro de 2011

Na minha visita ao brechó Fábio Rodrigues, encontrei vários estilos de gente, pessoas de todos os tipos e todos os gostos em quesito de moda. Dentre todo mundo que apareceu durante a tarde que estive por lá, alguém não conseguiu passar desapercebido, de maneira nenhuma. Esse alguém foi o Thiago Roese, alguém que já é conhecido (mas não amado) por muitos fashionistas de João Pessoa. Thiago tem um estilo peculiar que chamou muito a minha atenção e a da Nayara Leite, que fez um texto super reflexivo sobre o que a moda representa na sociedade de hoje. Confira:

“Sempre entendi ousadia como uma forma corajosa de se expressar. E sempre entendi expressão como um grito na cara dos limites que nos são impostos. Pra muita gente, ‘liberdade de expressão’ anexa-se apenas a contrariar os ‘sins’ impostos por uma grande maioria. Como você mostra para o mundo quem você é? Como você acha que o mundo te julga ser? Em base do quê? Julgam-te por pensar diferente. Julgam-te por falar diferente, agir diferente, por andar com quem julgam ser diferente… Julgam-te. E em meio a esses julgamentos todos, feitos por pessoas que estão acostumadas há olharem o tempo inteiro pra um caminho só, ousar, digo ousar, com todo o peso da palavra, vai tornando-se apenas uma fantasia e o ato some. Muito tempo olhando para o escuro e a luz te cegará, pois bem.  As pessoas precisam descobrir o que realmente são.  Sair dessa placenta preconceituosa que a sociedade criou e perder o medo de ser.  Em meio a essas rédeas todas colocadas por uma sociedade hipócrita, existem pessoas que pensam além desses limites, mas não vivem o pensamento. Ser como todo mundo é te livra de julgamentos.  Liberdade de expressão é um direito de todos. Liberte seus pensamentos. Existem mil maneiras para isso. Seja cantando, escrevendo, pulando, rodando, falando, desenhando, vestindo e ah… como você quiser! Você pode. Esqueça os tabus que te impedem de se sentir em paz consigo mesmo. Liberdade, paz de espírito e satisfação é o orgasmo da alma! E eu poderia falar muito mais, mas encontrei um exemplo de liberdade de expressão que anexa ousadia, coragem e personalidade. Thiago Graese, 19 anos, estudante de Jornalismo, um cara fora do comum que nos é imposto. Quebrando todos os preceitos e mostrando que a roupa e todos os acessórios que podem vir a ser anexados a ela, são uma forma de expressar-se. Um grito sem medo, através de uma linguagem visual, por muitos, inédita e até esdrúxula. O que é fantástico pela coragem de ser, usar e enfrentar todas as criticas e preconceitos que são devolvidos através de olhares tortos etc. Mas como o preço da liberdade é a eterna vigilância, que se pode fazer né Thiago?”

Fizemos uma pequena entrevista com Thiago para descobrir suas referências de moda e como ele vê a moda nos dias de hoje. Esse bate-papo você confere a seguir:

Thiago, o que te inspira a se vestir dessa maneira? 

Tudo inspira! Isso por quê a partir do momento que você sai e não enxerga a cidade de uma forma regrada e imposta pela sociedade. Quando você enxerga ela de uma forma abstrata e como arte você vai se inspirando, você quebra os limites. “Por que aquilo só serve pra aquilo?” Entendeu? Por que eu não posso ter aquilo com outra serventia? Aí você vai montando, não tem uma fonte de inspiração só, são várias fontes.

Você costuma olhar sites ou revistas de moda? 

Eu olho tudo! Eu já olhei muitos sites de moda e revistas, mas ultimamente eu vejo mais o lado artístico, vejo mais o lado da arte. Eu não leio mais revista de moda para seguir regras, eu vejo alguma referência pra se adaptar a minha forma de ver o mundo, entendeu? A minha forma de ver a arte, mas não de uma forma regrada como a moda está hoje, muito comercial e eu não gosto disso!

E sua família? Como eles se comportam diante da sua escolha de estilo?

Minha família me apóia em tudo o que faço e eles entendem que eu me visto da maneira que me sinto, então eles respeitam e gostam!

E o que você usa para compor seus looks?

Uso muito roupas de brechó e customizadas por mim. Adoro misturar o vintage com coisas que estejam foram do cotidiano. Uso também tudo que esteja ao meu redor e tento adaptá-los ao que eu queira transmitir no momento. Uso muitos objetos de cozinha (colheres, garfos, tampas de panela etc.) e transformo as utilidades das coisas. Adoro brincar na hora de se vestir!

 

Taí, isso serve pras horas que a gente julga as pessoas pelo que elas estão vestindo, sem ao menos saber o que isso representa para a mesma. Vale a pena levar a moda tão a sério? Keep thinking! 

Instagram / @jeefbatista

 
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